» Laura 20:31
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"Na várzea extensa do Capibaribe, em pleno mês de agosto Reuniram-se em congresso todos os ventos do mundo; Àquela planície clara, feita de luz aberta na luz e de amplidão cingida, Onde o grande céu se encurva sobre verdes e verdes, sobre lentos telhados, Chegaram os mais famosos, os mais ilustres ventos daTerra: - Mistral, com seus cabelos de agulha, e os seus frios de dedos finos, - Simum, com arrepiadas, severas e longas barbas de areia quente, - Harmatã, em fúrias gloriosas e torvelinhos, trazidos da Costa da Guiné,
Representante das margens do Nilo credenciou-se Cansim, E Garbino, enviado das praias catalãs. Vieram as Monções das margens do Oceano Índico, Os ventos daTundra siberiana vieram. . . E os Alísios desceram do Equador, clandestinos, Num grande transatlântico. [...]"
Congresso dos Ventos (começa na p.23), Joaquim Cardozo.
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» Laura 15:43
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Eu quase morri de susto quando vi que vcs tinham escrito alguma coisa aqui. E Mari, vc sabe que eu me alongo demais. Os comments nunca sao suficientes.
Eu vi o filme sim, lindo.
[momento menininha histérica: eu não costumo perder filmes em que o Johnny Depp apareça]
O que eu posso dizer? Eu acho que vc tem razao.
Mas e' mais forte que eu. E' uma simpatia inexplicavel, deve ter vindo junto com o dna do meu pai. Sei la', uma esperanca de que haja um pouco de coisa legal, nao sei dizer. E' irracional.
Momento ilustrativo - atitude totalmente meu pai:
No túnel do tempo, eu devia ter uns 7 anos e meu pai me levou agitadíssimo para um comício ou passeata, ja' sao quase 20 anos, nao da' pra lembrar de tudo certinho, ne'?
Era alguma coisa com o Darcy Ribeiro e o Brizola, pelo que lembro. Meu pai fez de tudo para falar com os 2 e conseguiu finalmente que cada um deles me segurasse e me conhecesse. Eu lembro de odiar cada momento daquilo, a bagunça, os cheiros, o falatório muito alto, as muitas pessoas. Meu pai lamenta ate' hoje nao ter levado uma maquina para tirar uma foto minha com os dois mas fica muito feliz que a filha querida tenha sido segurada pelos sujeitos mencionados.
Meu pai e' uma figura.
Racionalmente eu tambem acho todos iguais e nojentos.
Isso me lembrou imediatamente do yin/yang, de como o extremo de cada um fica tão tão tão próximo do outro que falta so' uma poeirinha para virar de lado e se transformar na outra coisa.
De volta a programacao normal ;)
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» Laura 15:31
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É assustador como sempre um outro alguém em algum lugar ja' pensou exatamente a mesma coisa sobre um mesmo assunto e 'as vezes conseguiu dizer do mesmo jeito que vc vive dizendo, enfim...
Quem me conhece sabe como eu vivo ameacando as pessoas sobre "Como vc vai mostrar suas fotos para os seus netos? Num CD que não pode mais ser lido? Tudo vai se perder!" e vamos todos morrer etc etc.
E acabo de ler o trecho ai' debaixo, num dos textos que separei para o trabalho de roteiro de anteprojeto de graduação bla' bla' bla':
"The year is 2045, and my grandchildren (as yet unborn) are exploring the attic of my house (as yet unbought). They find a letter dated 1995 and a CD-ROM (compact disk). The letter claims that the disk contains a document that provides the key to obtaining my fortune (as yet unearned).
My grandchildren are understandably excited, but they have never seen a CD before -- except in old movies -- and even if they can somehow find a suitable disk drive, how will they run the software necessary to interpret the information on the disk? How can they read my obsolete digital document?"
Assustador.
Leia mais aqui.
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» mari 11:49
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ai ai, ha seeeculos que nao vinha aqui na mamuzada. nao lembrava nem minha senha no blogger. mas tive que escrever isso aqui porque o comment ficou muito grande la embaixo.
laurinha, querida, eu também sonho com um mundo melhor e igualdade, felicidade, livros de graça, cachorros felizes e tudo isso... mas HUGO CHAVEZ??? e FIDEL? nao, nao, naaaaaao. um super amigo do meu pai foi um desses revolucionarios sonhadores que desceu a serra com Fidel, fez a revolucao cubana, acreditava nesses ideais e .......... depois foi cassado PELA MESMA TURMA COM QUEM ELE FEZ A REVOLUCAO e fugiu pro brasil, assim como VARIOS outros "que não se enquadravam".
viu aquele filme lindo Before Night Falls? com o Javier Bardem?
http://www.finelinefeatures.com/sites/bnfalls/
essa é a realidade das ditaduras, sejam elas de direita ou de esquerda.
quanto mais na extrema direita o cara está, mais ele se parece com a extrema esquerda. e vice-versa. pra mim, W.C. Bush e Fidel sao nojentamente IGUAIS.
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» brends 10:03
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Quatro anos de astrologia
Pra entendeer o que havia
Por trás daqueles sinais
Até ali ela era tida como louca
Por conversar com planetas
Agora não é mais
Ontem ela foi embora
Num cometa
Certa de que sua vida vai melhorar
Ontem ela foi embora num cometa
Nebulosa Nebulosa...
{ eu leio a parada do astro e fico com a música do badke na cabeça }
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» Laura 23:31
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Noooooossa, olha so' o que o Astro me manda por email hoje:
*Antes de querer mudar o mundo,
caminhe três vezes pela sua própria casa.*
(Provérbio chinês)
Assim eu reforço minha crença em horóscopo E nos chineses.
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» Laura 15:41
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Chávez, em debate da UNE: "América do Sul está num ponto crucial"
Leia mais aqui.
"A América do Sul está em um ponto crucial", afirmou ontem o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, ao ser recebido pela UNE como um dos líderes da resistência contra o império dos EUA, para participar de um debate com estudantes nesta sexta-feira (5) na UFRJ (Universidade federal do Rio de Janeiro). O principal tema de Chávez, que saudou os estudantes brasileiros, foi a integração latino-americana. [...] Percebendo a presença de um grupo de pessoas vaiando a UNE, Chávez pediu uma maior união das forças progressistas que lutam por uma América unida, livre e igualitária. E citou como exemplo, os líderes do movimento estudantil da Venezuela: "Vinham muitos dirigentes de várias correntes me felicitar pela revolução bolivariana e quando chegavam os líderes estudantis e eu os recebia, um grupo me felicitava, mostrava sua proposta e na semana seguinte outro grupo (de estudantes) falava mal do que o antecedeu. Diziam: são anarquistas, ou então esquerdistas, ou maoístas, ou não defendem Cuba. Me dava muita tristeza, porque o movimento estudantil estava dividido em vários pedaços, uma estratégia dos dominantes: dividas e reinarás". Por último, Chávez voltou ao assunto de integração latino-americana e defendeu a criação de uma união econômica, de uma única empresa petrolífera, a cooperação das forças armadas nos moldes da Otan e um banco de desenvolvimento, que servisse para que os países da América do Sul não dependam mais do FMI, "um asqueroso instrumento de exploração a favor do imperialismo norte-americano".
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» Laura 23:30
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Eu me alieno propositadamente.
Hoje saí desse exílio voluntário e fui checar o final da história Bush X Kerry.
Eu acreditei que o Bush podia perder, que os americanos seriam capazes de não deixar esse maluco continuar na presidência, mas ele ganhou. Foi por pouco mas ele ganhou e eu preciso ficar repetindo isso, pq não parece real. E eu olhei um jornal, outro jornal e mais outros e todos diziam a mesma coisa.
Inacreditável, o Bush foi reeleito! Meu Deus, ele ganhou. Mas quem garante que o outro não ia ser pior? Não sei se o Kerry seria melhor, eu simplesmente não sei. Apesar de querer acreditar que nada pode ser pior que o Bush, no fundo eu acho que todos esses políticos são umas pessoas horríveis, todas iguais e que o mundo não tem jeito.
Então eu fui pro estágio e dali pra faculdade. Ainda pensei ?mas será que eu vou mesmo? Vai que o professor não aparece de novo? Não não, hoje ele vai, afinal já tem 1 mês que ele não aparece... e ele disse que ia voltar a partir de novembro?. Então lá fui eu.
No caminho um engarrafamento mega-enorme-gigantesco, muito maior do que o usual das sextas. O motivo era muito simples: a entrada para a Urca estava fechada com um carro de polícia e vários policiaizinhos. Quem quisesse entrar na Urca precisava fazer um desvio pela outra pista e que venham as buzinas, não é mesmo? Todos adoramos buzinas em engarrafamentos pq elas fazem os carros andarem instantaneamente.
Toda a pista na frente da UFRJ estava fechada, aquele prédio tão bonito que está sempre fechado estava aberto, com tapetes vermelhos e 1 milhão de policiais por toda a parte. ?Nossa, mas deve ter alguém muito importante aí?.
Chega na faculdade atrasada por causa do engarrafamento, entra na sala e... "mas peraí, cadê o professor? Ah, fdp...". Pois é, o fulaninho não apareceu, simplesmente pq certas pessoas não tem vergonha na cara. Saí da sala fula e disposta a criar um barraco, no caminho fui pensando nas consequências de ato tão enfurecido e estava quase desistindo quando o diretor passou de elevador e me deu tchauzinho. Repensei minha desistência e fui atrás do diretor.
- Tudo bem? [diretor com mega sorriso]
- Mais ou menos
- O que houve? [cara preocupada]
- O fulano não apareceu de novo hoje
- Como assim de novo?
- Ele quase não deu aula desde que o semestre começou, eu não sei pra quem reclamar.
E ele me levou para um caderninho onde expressei toda a minha indignação com a sem-vergonhice dos professores. E saí dali enraivecida com a raça humana. Pq, me explica pq o cara não cumpre a parte dele? Não ia ser muito mais fácil e bom para o mundo se todos fizessem sua parte e fossem pessoas boas?
Na volta, tradicionalmente passando por dentro da UFRJ encontro um telão transmitindo um discurso do Hugo Chávez e muitas pessoas vendo/ouvindo.
Será que a rua fechada e os tapetes vermelhos eram para ele? Sim, fato confirmado com algumas das pessoas que estavam ali. Fiquei 1 hora em pé ouvindo o discurso do cara. Foi lindo. Eu sei que ele é um ditador e tal. Eu não sei se está sendo bom ou não para a Venezuela. Como eu disse, sou alienada.
Mas o discurso dele é muito do que eu quero que aconteça. E aparecem todas essas dúvidas terríveis, como eu posso achar bom? Ele é um ditador! Mas e a democracia? E o Bush foi reeleito, e todos os políticos são horríveis e generalizações são sempre pavorosas.
Mas o Chávez falou da revolução, e falou do Fidel, e eu tenho essa simpatia pelo Fidel. Eu sei que eles têm mil e uma dificuldades em Cuba. Mas e a educação, a saúde... funcionam? Eu não sei também, eu não sei em quem ou em que eu posso acreditar.
Eu sei que esse sangue ecuatoriano maoísta que corre nas minhas veias gosta de Fidel, de Chávez, de Che Guevara, da "revolução". Herança paterna que se reconhece no discurso de um hermano, que está tão perto de nós. Todos latinos, quase todos dividindo fronteiras e se conhecendo tão pouco. E ele falando de tudo que eles conseguiram, falando que devemos nos unir, PetroSul, quem disse que devemos ser sempre países periféricos, pq estar sempre submetidos ao norte. Projeto Barrio adentro, intercâmbio com Cuba, um banco sul americano para mantermos nossas reservas aqui. Associações latinas de comércio. Educação e saúde para todos. Idéias maravilhosas. Eu não sei se são verdade. Mas quero tanto acreditar que é possível, que nem todos são crápulas. E foi um discurso maravilhoso, de chorar e pensar demais para uma sexta de noite.
Pensar nos porquês de o mundo não dar certo, na importância das coisas, se eu posso fazer alguma coisa para mudar alguma coisa. Pq eu tenho esse desejo idiota e impossível de mudar o mundo. Ainda mais encorajada por algum professor que disse uma vez que a gente nunca devia perder a vontade de mudar o mundo. E como a gente tenta fazer isso? Eu fico pensando que se deve fazer alguma coisa importante, não necessariamente uma descoberta incrível, mas lutar cada dia por uma transformação, por alguma coisa que se acredita. E do tão grande pro tão pequeno eu fiquei pensando se não foi por isso que ser designer nunca me fez sentir cumprindo meu papel. Pq eu nunca senti que era realmente importante o que eu estava fazendo. Sem querer desmerecer nada, eu ainda sou e exerço a profissão. É o meu critério muito pessoal de o que é importante. Eu tenho essa culpa enorme de precisar fazer algo que eu ache que de alguma forma vai mudar o mundo. Tudo bem, eu podia ser designer e fazer outras coisas, mas não sei... e por isso outra faculdade, por isso a busca tão cansativa que parece que nunca vai acabar, talvez acabasse se eu soubesse exatamente o que eu estou procurando.
Pq eu falo inglês, mas não falo espanhol? Pq eu sou tão colonizada? Pq eu não faço nada? Pq as coisas são como são? Pq não pode ser simples? Pq precisa ser tão sofrido? Pq eu faço ser tão sofrido? Eu preciso conhecer a América Latina. Eu quero conhecer o país do meu pai, é uma parte de mim e está tão longe, será que é lá que eu vou encontrar as respostas? Claro que não.
O caminho para casa pareceu interminável. "Eu preciso chorar, não aguento mais me controlar, eu preciso chegar em casa", será que eu já estava chorando?, pq eu fiquei com a impressão de que todos me olhavam de um jeito estranho, na verdade eu que sou estranha. Eu abro a porta de casa e começo a soluçar. As gatas vêm fazer um carinho e saber o que está acontecendo com aquele ser humano tão complicado e eu falo que tudo que eu queria era trocar de lugar com elas, para correr alucinadamente pela casa, dormir e perseguir bolinhas de papel e barbantes e não pensar. Gato pensa?
E por isso eu termino o dia com um nó na garganta e uma dor imensa na alma. Lembrando de uns versos muito tristes.
O cheiro das barbearias me faz chorar aos gritos.
Só quero um descanso de pedras ou de lã,
só quero não ver estabelecimentos nem jardins,
nem mercadorias, nem óculos, nem elevadores.
Acontece que me canso dos meus pés e das minhas unhas
e do meu cabelo e da minha sombra.
Acontece que me canso de ser homem.
[...]
Não quero continuar sendo raiz nas trevas,
vacilante, estendido, tiritando de sono,
para baixo, nas tripas molhadas da terra,
absorvendo e pensando, comendo cada dia.
Não quero para mim tantas desgraças.
Não quero continuar de raiz e de túmulo,
de subterrâneo solitário, de adega com mortos
enregelados, morrendo de agonia.
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» Laura 22:07
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E procurando umas coisas como quem não quer nada, esbarrei com o site da Briquet de Lemos.
Foi uma grata surpresa. Entre outras coisas, encontrei esse texto:
A livraria de arte
Do dia em que, ainda adolescente, entrei numa biblioteca, para ali trabalhar, gravou-se uma lembrança que se agarrou definitivamente à minha memória. Lembrança que é a minha madeleine particular: o cheiro dos livros, misturado ao da madeira dos móveis, da cera do assoalho, da torrefadora cuja chaminé despejava o aroma de café bem diante da janela da biblioteca. Talvez, mais do que memórias tudo isso tenha acabado por criar uma dependência fisiológica e psicológica ao ambiente dos livros. Não ao livro isoladamente. Mas ao conjunto de sensações que se criam num ambiente onde os livros sejam dominantes.
Essa pode ser uma explicação para o impulso que me levou a criar uma livraria. Além da satisfação que sentia, quando era bibliotecário, ao notar a alegria e o contentamento do leitor que via atendida sua necessidade por um livro ou um artigo de revista. Desse ponto de vista, não há muita distância entre bibliotecário e livreiro.
Por que uma livraria de arte?
Pelo prazer que os livros de arte proporcionam a quem convive com eles. Pela satisfação de estar atendendo a uma necessidade sentida em Brasília há muito tempo por todos os que estudam, ensinam, fazem ou apreciam as artes visuais. E, porque, afinal, estar em contato com as artes e os artistas pode ser, como disse Argan, um modo mais lúcido de estar no mundo.
Briquet de Lemos
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» Laura 16:21
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Uma vida entre livros / José Mindlin
Mais uns pedacinhos.
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As obsessões de um bibliófilo
"O livro exerce uma atração multiforme, que vai muito além da leitura, embora esta seja um ponto de partida fundamental. Em primeiro lugar, existe sempre a ilusão de que se vai conseguir ler mais do que na realidade se consegue.
[...] Quando se chega a esse estágio, [busca da raridade] aquele que pensava em ser na vida apenas um leitor metódico, está irremediavelmente perdido. Sua relação com o livro passa a ter uma dimensão quase patológica, pois a compulsão por possuí-lo é mais ou menos irresistível (mais mais do que menos).
[...] Procuro, neste assunto, ter em mente a frase de Thomas Mann, segundo a qual a leitura dos bons livros deveria ser proibida, porque existem os ótimos -- mas não sou tão radical."
As primeiras garimpagens e a formação da biblioteca
"E cabe aqui uma ligeira interrupção, para corrigir uma injustiça que venho cometendo desde o começo desta conversa em relação à Guita, minha mulher. De fato, tenho falado sempre em "minha biblioteca", quando, na realidade, a biblioteca é dela e minha, pois ela, embora não tenha a atração patológica que me aflige (aflige é modo de dizer...), também gosta de livros, é uma leitora constante, e, como se isso não bastasse, conserva os livros, e já encadernou ou restaurou vários deles. Somos casados há 58 anos, e nunca precisei entrar em casa com livros escondidos.
[...] No tempo, a biblioteca foi crescendo, a ponto de minha mulher dizer que não somos nós que temos a biblioteca: ela é que nos tem."
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» Laura 15:45
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Livro sobre livros
Começado e acabado antes de poder transcrever tudo que eu queria, maravilhoso!
Recomendo imensamente :)
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Uma vida entre livros: reencontros com o tempo / José Mindlin
São Paulo: EdUSP: Companhia das Letras, 1997.
Prefácio / Antonio Candido
"Um livro como este nem deveria ter prefácio, para não atrasar o contato com o seu texto agradabilíssimo e cheio de engenho, no qual um leitor inveterado conta suas aventuras com os livros.
[...] Como se vê, aqui há muito pano para manga -- manga bem cortada em pano fino, como fina é a qualidade humana e intelectual do autor."
Começo de conversa
"Este livro tem uma história que precisa ser contada, nem que seja para explicar e, se possível, justificar que eu fique tanto tempo falando de mim mesmo. Meio contra minha vontade, ele vem atender a uma insistência antiga e persistente de vários amigos para que eu escrevesse sobre a minha biblioteca, destacando obras de maior interesse, e contando alguns episódios de décadas de garimpagem de livros.
[...] Vinha resistindo, mas acabei cedendo quando me dei conta de que, através dessa história, poderia talvez estimular em outros o amor ao livro, e, principalmente, o amor à leitura. Inocular este vírus é, aliás, uma coisa que venho procurando fazer a vida inteira, ora com sucesso, ora sem resultado."
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» Laura 19:09
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Interesse atual (ou seja, deste minuto):
preservação de documentos digitais
"Because there is usually no analog (physical) version of materials created solely in digital formats, these so-called "born-digital" materials are at much greater risk of either being lost and no longer available as historical resources, or of being altered - preventing future researchers from studying them in their original form. Millions of digital materials, such as Web sites mounted in the early days of the Internet, are already lost -- either completely or in their original versions."
Leia mais em News from the Library of Congress.
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E um mini-dicionário sobre termos da área no site da Digital Preservation Coalition (aliás, adorei o nome).
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» Laura 18:43
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Tem coisas que só a Medicina chinesa faz por você
"Considera-se que a Alma Etérea influencie a capacidade de planejamento da nossa vida e encontre um sentido de direção para esta. A falta de rumo na vida e a confusão mental poderiam ser comparadas à Alma Etérea que vaga sozinha no espaço e no tempo.
Desta forma, se o Fígado (Gan), em particular o Sangue do Fígado, floresce, a Alma Etérea permanece firmemente enraizada e pode nos auxiliar a planejar nossa vida com sabedoria e perspectiva.
Caso contrário... a Alma Etérea não se enraizará e não poderá nos fornecer um sentido para a vida."
Mas isso explica tudo! :D
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» Laura 17:33
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Eu agradeço... ao Biochip!
Hoje participei da minha segunda aula de Biochip :)
Para quem não sabe, Biochip é uma coisa maluquinha super divertida que eu não sei definir direito. Envolve: comidinhas super naturais (brotos, suco de hortaliças etc), alimentos vivos, nada cozido, desintoxicar o organismo, entrar em contato com a natureza...
Quem coordena a "convivência com o Biochip" é a Ana Branco, professora da PUC e maluquinha do bem.
Em resumo, nas aulas de Biochip a gente vai aprendendo como mudar a nossa alimentação terrível tão rica em conservantes, corantes, acidulantes, gorduras hidrogenadas para uma que nos faça bem.
Hoje aprendemos a fazer conserva natural, aprendemos a fermentar. Por isso eu passei uma parte da manhã espremendo repolho branco e roxo e cenouras muito bem espremidos num potinho de vidro. No fim da aula tomamos todos suquinho de repolho com cenoura que embora não seja assim uma gostosura também não é intomável.
Infelizmente desde que começaram as aulas só consegui ir 2 vezes, pq é muito divertido. Tudo bem, é muito louco e não sei se algum dia vou me alimentar só de "vivos" mas é legal conhecer as possibilidades :)
Mas o que eu queria mesmo escrever é que no fim da aula a Ana pede para que a gente escreva um agradecimento ao alimento da vez. A primeira aula foi com cenoura, a de hoje com repolho. Essa parte é extremamente divertida!
Perto de mim ouvi algumas pessoas dizerem, por exemplo, "mas francamente, vou agradecer a uma cenoura, ainda não fiquei louca não" e risadinhas e acabou que muita gente não agradeceu por vergonha, por não querer parecer doido, sabe?
Qual o resultado? Eles são bobos e não sabem o que perderam: uma ótima oportunidade de deixar a imaginação correr solta, sem medo de agradecer a um legume :)
Eu me diverti horrores. E agradeci. :)
"Eu agradeço a cenoura por parecer uma árvore em miniatura, o que gerou em mim felicidade por ser capaz de perceber isso."
"Eu agradeço ao repolho por aceitar ser tão espremido que fez um pequeno pote de vidro parecer infinito, o que gerou em mim pensamentos engraçados sobre infinitudes."
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» Laura 13:11
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Tudo o que no mundo existe começa e acaba em livro
"Como o leitor já terá notado, o título deste artigo é uma paráfrase de famosa observação de Mallarmé. Em 1891, respondendo a uma enquete de Jules Huret sobre a evolução literária, o autor de Un coup de dés teria dito que le monde est fait pour aboutir à un beau livre.
[...] Pois em artigo publicado em 1895 na Revue Blanche, reivindicando a autoria da frase e acrescentando que ela emanou do mais profundo de si mesmo, Mallarmé reescreveu-a desta maneira: Tout, au monde, existe pour aboutir à un livre. [...]
A verdade enunciada por Mallarmé decorre exatamente de que tudo o que no mundo não acaba em livro desaparece, torna-se esquecido ou deixa simplesmente de existir. [...] Pois só o que está escrito permanece [...].
O livro é, assim - e eis aí, talvez, sua melhor definição -, um dos veículos de comunicação do pensamento. Já no começa deste século, o belga Paul Otlet anunciava que outros veículos surgiriam para substituir o livro, anúncio ou profecia que muitos erradamente atribuem a Marshall McLuhan. Tanto Otlet, no passado, como McLuhan, no presente, só em parte acertaram. Os modernos veículos de comunicação surgiram menos para substituir do que para completar o livro. Pois a anunciada morte do livro é tão despropositada quanto o foi, com o advento do cinema, a também profetizada morte do teatro. [...]
Conversando certa vez com o urbanista Lúcio Costa, perguntei-lhe como se explica tenha ele pensado, ao projetar Brasília, em detalhes tão importantes como o das bancas de jornais e até o das sombras propícias aos namorados, esquecendo-se porém, de bibliotecas nas chamadas unidades de vizinhança. Sua resposta foi muito franca: esquecera-se das bibliotecas porque nunca as vira funcionar em nosso país!
[...] conclui Ortega [y Gasset]: "Puede vivir dignamente una nación sin un teatro nacional: sin una biblioteca medianamente provista, España vive deshonrada".
[...] Mário Quintana repetiu um aforismo de sua autoria [...]: "O verdadeiro analfabeto é aquele que aprende a ler e não lê". Mário Quintana recordou então que aprendeu a escrever lendo, assim como se aprende a falar ouvindo.
[...] Posso concluir, portanto, com pequena mudança na proposição inicial: tudo o que no mundo existe começa e acaba na biblioteca pública."
................................................
Eu queria escrever sobre esse texto já faz umas semanas.
Quando esse título apareceu projetado na parede da sala de aula fui instantaneamente conquistada, o texto podia ser horrível que só o título já valeria a leitura :)
Mas eu não sei o que escrever, então coloquei só uns trechinhos.
Amei tudo, recomendo imensamente :)
FONSECA, Edson Nery da. Tudo o que no mundo existe começa e acaba em livro. Ciência da Informação, Brasília, DF, v. 10, n. 1, p. 5-11, 1981.
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» Laura 15:44
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Who wants to touch me?
ou
Eu toquei uma Bíblia de Mogúncia*
*Modificações foram necessárias, acabo de finalmente descobrir que uma coisa eh uma coisa, outra coisa eh outra coisa. Existe a Bíblia conhecida como de Mogúncia [a da Biblioteca Nacional] e outra conhecida como de Gutenberg [mas que pelo que parece tb foi impressa em Mogúncia].
Estou muito confusa, assim como os textos que encontrei :D
Vou pensar melhor sobre isso e depois escrevo mais, por enquanto vou só dar uma consertadinha básica neste post.
Entre caixas de mudança, 2 gatas loucas, casa nova, 2 estágios e o reinício das aulas na facul, tive o imenso privilégio de folhear uma Bíblia de Mogúncia impressa em pergaminho.
Mas e daí?
Bom, a Bíblia de Gutenberg [ca. 1455] é considerada o primeiro livro impresso com tipos móveis. Um marco da história da civilização ocidental.
Revisão: Já a que eu toquei foi a de Mogúncia, parece que impressa com os mesmos tipos e todo o mesmo material só que um pouco depois [1462] e não pelo próprio Gutenberg mas pelos sócios dele: Fust & Schoeffer.
Provavelmente impressa depois que eles confiscaram tudo do Gutenberg pq o Fust arranjou o dinheiro e o Gutenberg não devolveu, assim, reza a lenda, o Gut teria morrido sem um tostão após inventar os tipos móveis que revolucionaram o mundo. Mas isso tb é confuso e tem gente que diz que é só lenda.
Sabe o que isso significa?
A Bíblia de Gutenberg continua sendo o primeiro resultado oficial da invenção da imprensa!!!! Antes disso, o modo usual de se fazer livros era escrevendo um por um, à mão!
Os livros eram manuscritos pelas poucas pessoas que sabiam escrever, na maioria religiosos, como em "O nome da rosa", livro/filme preferido por 8 entre 10 professores de Biblioteconomia.
Nessa época de impressão computer-to-plate já é difícil imaginar livros sendo impressos com tipos de chumbo; imaginar livros sendo escritos à mão é uma loucura maravilhosa.
Eu poderia falar horas e horas sobre isso pq eu acho uma coisa mágica-impressionante-incrível-maravilhosa.
Que nem pão. Como, CO-MO descobriram que juntando os ingredientes virava pão? É incrível! O mesmo vale para tantas coisas que nem dá para imaginar todas elas.
Isso me faz encarar a Bíblia de Gutenberg como uma coisa maravilhosa.
Isso eu continuo achando.
Eu folheei uma coisa mágica!!
Isso eu tb continuo achando :)
Mesmo sendo a Bíblia de Mogúncia e não a de Gutenberg.
Para entender a importância do que me aconteceu
Bom, vou deixar esses trechos aí, só que eles dizem respeito a Bíblia de Gutenberg e não a de Mogúncia. Fiquei com pregui de procurar trechinhos sobre a de Mogúncia.
"Between 1450 and 1455, the Gutenberg Bible was completed. Early documentation states that a total of 200 copies were scheduled to be printed on rag cotton linen paper, and 30 copies on velum animal skin. It is not known exactly how many copies were actually printed. Today, only 22 copies are known to exist, of which 7 are on velum."
"If an entire Gutenberg Bible should become available on the world market, it would likely fetch an estimated 100 million dollars! Even an individual leaf (a single two-sided page) from the original Gutenberg Bible can fetch around $100,000. Gutenberg?s work is the most rare and valuable printed material in the world."
Sendo assim, tive a experiência mágica de tocar 2 dos exemplares em pergaminho da Bíblia de Mogúncia existentes no mundo.
Eu não sei quantos são os exemplares da Bíblia de Mogúncia ainda existentes. Continua sendo um privilégio.
Além do encantamento por ter tocado "um dos primeiros livros impressos"; a sensação, aquela que as pontas dos dedos sentem, de tocar um livro em pergaminho é incrível. O livro tem um cheiro inebriante de couro e uma textura deliciosa.
As sensações continuam iguais, mesmo pq eu achava realmente que estava tocando a Bíblia de Gutenberg, haha :D
Ver as iluminuras (feitas à mão), sentir a textura e ver as cicatrizes do pergaminho, imaginar que alguém colocou cada uma daquelas folhas de pergaminho numa prensa tipográfica e imprimiu um livro quase que pela primeira vez... Nada disso tem preço :)
E ainda bem isso tb continua igual :)
Já vi livros com ilustrações mais bonitas, encadernações mais preciosas ou com um trabalho tipográfico mais interessante. Mas esse é muito mais que um livro bonito.
É um pedaço da história da humanidade.
Confere...
Algumas diferenças que pude notar
Parece que funciona assim:
Bíblia de Gutenberg
Impressa em ca. 1455, em Mogúncia.
Pelo próprio Gutenberg.
Também conhecida como Bíblia Latina ou de 42 linhas.
Bíblia de Mogúncia
Impressa em 1462, em Mogúncia.
Por Johannes Fust e Peter Schoeffer.
Também conhecida como Bíblia Latina ou de 48 linhas.
Para saber mais
- Os trechos entre aspas vieram daqui .
- Octavo, com muitas imagens digitais, da Bíblia de Gutenberg, não da de Mogúncia. Mas é praticamente igual. Assim online eu nem consigo ver diferenças, deve ser pq usaram os mesmos tipos e tal.
- Vai procurar no Google !
Para ver ao vivo
Isso é quase missão impossível :)
Aqui no Brasil a única possibilidade é na Biblioteca Nacional.
Mas... não é tão fácil assim, cara pálida.
Ela não só é uma obra rara. É uma obra do cofre e por isso está microfilmada. Se tem microfilme, você só pode ver o microfilme. Nada de ver o original.
A não ser que... por exemplo, você seja um pesquisador que pre-ci-se ver o original pq o microfilme não é o suficiente para sua pesquisa. E deve pedir autorização formal, que vai ser analisada e aí, quem sabe vc consegue. Boa sorte.
Ou pode fazer que nem eu e começar a Universidade de Biblioteconomia, conseguir um estágio na Divisão de Obras Raras e ter a sorte imensa de precisar selecionar algumas páginas dA Bíblia de Mogúncia para um catálogo. :)
Isso tb continua valendo :)
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» Laura 16:34
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Pois é, depois de muitos percalços, obras, mudança, caixas de papelão até o teto, fogão que precisava ser convertido, telefones que precisavam existir etc etc
Finalmente mudamos!!!
E agora tenho telefones no plural!!
Casa nova, ainda algumas caixas mas agora podemos circular pela sala, pequenas vitorias.
O fogao já funciona tb...
Só quem já fez obra e mudança e passou por esses perrengues que sabe o tamanho do alivio.
E falando nisso, MORTE AO SINTEKO ZONA SUL! >:-/
E se alguem precisar de pedreiro, o nosso foi otimo.
Ai, que cansaço enooooorme. Ufa.
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